Psic-anal-ise (ai que piada tão gira)

Recentemente chamaram-me à atenção para um artigo de fundo sobre a psicologia como ciência. O seu valor epistemológico é de tal importância, que urge reproduzi-lo aqui para abrir uma importante análise e discussão do texto.

Psi-cócó-logia…
Por André Fernandes-Esteves

Não compreendo a existência de um curso de psicologia.

A psicologia como ciência está completamente de rastos. A neurologia, a inteligência artificial e até a filosofia já estão à anos-luz à frente na exploração da mente humana.

Como terapia é completamente ineficaz, resumindo-se a uma conversa num local calmo, com o esporádico abuso emocional-sexual-finançeiro por parte de um idiota encartado. Um psiquiatra com umas pílulas faz mais numa semana do que um psicólogo em três anos de terapia…

E alguém já analisou bem os gajos e gajas que entram nos cursos de psicologia? Resumem-se a três tipos característicos:

1 – Têm um familiar doente e quer curá-lo e curar o mundo.
2 – Acha-se doente e quer-se curar.
3 – E o pior de todos: quer poder sobre os outros…

Não admira, portanto, que aos alunos de psicologia não lhes seja permitido durante o curso trabalhar num sanatório, ao contrário de um psiquiatra ou qualquer dispensador de pílulas…

Para eles, o manicómio começa em casa e acaba na sala de aula.

(mas haverá na realidade, alguém mentalmente são neste país? O que raios parta é isso de saúde mental? Não dar nas vistas?)

– Reproduzido tal como se encontrava publicado em 2005/11/1 in
http://www.nocturno.org/aife/blog/?p=70

Uma vez que o Dr. Fernandes-Esteves (note-se a hifenização do apelido) tem um discurso académico bastante denso importa, talvez com a ajuda dos meus leitores, tentarmos desbastar este texto para que fique compreensível para o grande público.

O primeiro contacto deste ensaio com o leitor é logo na mestria e talento literário com que o autor insere, ali no meio do título, a palavra «cocó». Ainda hoje eu não consigo parar de rir.

O artigo abre com uma confissão: o autor não compreende. Contudo, isso não o impedirá de opinar sobre uma matéria que não alcança.

Depois, afirma que a psicologia está completamente de rastos, o que me deixou completamente de rastos. Dotado de dons de síntese extraordinários, «resume» a prática da psicoterapia em termos tão precisos que não deixam azo a ambiguidades de interpretação.

E logo num artigo onde o Dr. Fernandes-Esteves nega o valor da psicologia, tipifica ele próprio três conjuntos de personalidades, apenas aqueles e mais nenhuns, («resumindo», outra vez, porque o autor é uma pessoa que gosta de resumir), correspondentes a grupos de «gajos» e «gajas».

Apesar de não reconhecer ciência à psicologia, o Dr. Fernandes-Esteves não adianta dados sobre a sua própria metodologia para chegar àquelas conclusões. Tudo o que podemos saber é que o autor «analisou bem».

Todos os três grupos são «maus», dado que o último é, até, «o pior».

Vejamos então que tipos de personalidades assim valorados são esses:

  • Tipo-1 (Modelo Fernandes-Esteves): Indivíduos que querem ajudar. Independentemente da escala, ajudar a família ou mundo, não há nada que os possa deixar de merecer o escárnio do autor.
  • Tipo-2 (Modelo Fernandes-Esteves): Indivíduos que querem ajudar-se a si mesmo. Para quem visivelmente está a precisar de ajuda, é compreensível como o autor veja isso como algo reprovável.
  • Tipo-3 (Modelo Fernandes-Esteves): Indivíduos que procuram poder. Aqui o autor serve-se do derradeiro juízo de valor, «o pior», mas em boa necessidade. De facto, é algo que tenho visto na faculdade de psicologia na qual eu recentemente entrei – nos seus corredores decidem-se importantes destinos da política e do mercado global. O lobby dos psicológicos é hoje tão grande que lhes chamam «o quinto poder». Graças aos seus super-poderes da mente conseguem manipular e obrigar os outros a fazer exactamente o que eles querem.

E é precisamente devido ao facto de todos os alunos se descreverem numa destas três tipologias, e não por outro motivo, que estes não podem trabalhar num «sanatório».

Da soma de um profundo acto de empatia com o seu aturado estudo científico, o Dr. Fernandes-Esteves coloca-se na mente dos alunos de psicologia («para eles») e situa-lhes o início e o final dos seus manicómios. O que a frase possa realmente querer dizer, ultrapassa-me.

Mas o autor não se fica pelo discurso categórico. No final, humildemente colocado entre parêntesis, convida o leitor a reflectir sobre questões tão originais quão gramaticalmente bem lavradas.

A relevância deste ensaio só me deixa ansioso por saber o que o Dr. Fernandes-Esteves irá produzir assim que passar para lá da sua fase anal.

2 thoughts on “Psic-anal-ise (ai que piada tão gira)

  1. Ora, meu caro, é de conhecimento comum que o grande objectivo dos psicólogos é conquistar primeiro a Terra e, depois, todo o universo recorrendo a elaboradas técnicas subliminares de lavagem cerebral cuidadosamente inseridas em programas como «AB… Sexo», «Sic 10 horas», «Morangos com Açúcar» e «Portugal no Coração».

  2. Foi a primeira vez em anos que li um artigo que me despertasse tamanha repugnância, pela falta de conhecimento, falta de instrução, ignorância de quem o proferiu. Ainda hão de chegar,daqui a uns largos anos, ao entendimento do quanto a Psicologia pode fazer pela saúde e bem estar humanas….daqui a uns bons anos dado o nivel de atraso!

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