«E acha que o público vai perceber a lógica disto?», perguntou o director do BANIF aos criativos da agência. Se não perguntou, deveria ter perguntado. Porque lógica, o anúncio de apresentação da nova imagem do BANIF não tem nenhuma.
Abrimos o filme com um homem em tronco nu em cima dum cavalo que corre cheio de pressa para não sabemos aonde. Mas onde quer que seja, deve ser importante chegar, porque o modelo tem na cara um esgar intenso. Talvez queira chegar ao banco antes das três horas da tarde, antes que fechem os balcões. Efeitozinhos de película falseados em pós-produção, vignetting, desfoque, sobreposições, câmara em elásticos, e música rápida com coro e uma guitarrada eléctrica genérica, fazem parecer é que havia pressa em cumprir todos os clichés formais logo nos primeiros segundos do filme publicitário.
Mas eis que ele chega ao não sabemos onde! Continuam as ocas sobreposições de planos. O modelo levanta os braços, para a frente, para trás, atira o cabelo para o rosto ai que bonito que fica, e faz mais daquelas caras de não sabemos quê, num sofrimento que é mais do espectador que tem de assistir embaraçado à representação vazia dum modelo mal dirigido que propriamente em resultado do raio que ali se estaria a passar. Ah, e vemos também uns pés a tremer. Ew, grotesco.
Finalmente dá um grito, se calhar porque viu o seu saldo. Mas o mais provável é porque acharam que um grito à modelo ficava bem no filme.
E pronto. Entra cavalo e cavaleiro, sai de lá só um. Deve ser uma daquelas estratégias de condensar vários créditos num só. Mas que na mitologia os centauros não se fazem nem em bancos nem em estábulos mal iluminados, disso sei eu. Mesmo em Marrocos. Portanto, deve ter acontecido outra coisa qualquer lá dentro, e hão-de me explicar o quê.
O próprio cavaleiro também não deve saber muito bem o que lhe aconteceu, a avaliar pelo olhar vazio de direcção que traz no rosto. Deve estar à procura da motivação da personagem, suponho.
Finalmente o centauro cavalga em direcção ao pôr-do-sol, com os braços bem abertos para secar o desodorizante mais depressa, porque isto de ter corpo de cavalo obriga a maiores cuidados com a higiene. E já agora de braços abertos, até porque vale tudo e nem é para cumprir os cânones da mitologia clássica, também sempre se aproveita para ver se é capaz de levantar voo como Pégaso. Não sei, acho isto tudo muito estranho. A mim esta história faz-me lembrar o filme A Mosca, e isso não é nada bom, porque em vez de máquina do tempo, temos um banco.
Só sei que o BANIF me assustou de tal maneira que não me estou a ver a entrar num dos balcões deles enquanto não souber o que realmente se passou naquele que é o primeiro dum novo género de filme publicitário: a publicidade de terror.
Extraordinário, como quando comparando com a imagem do BPI, sobre a qual recentemente escrevi, vemos como duas instituições bancárias podem ter tido resultados em pólos tão diversos quanto à eficácia da sua comunicação.
Não vejo também como o puderam achar bem as letras «BANIF» do novo logótipo, onde com o «A» em desequilíbrio óptico com as letras vizinhas. E em como a campanha assenta num centauro quando o símbolo do banco exibe um sargitário.
Sem querer causar dano às empresas envolvidas nesta obra, não deixo de achar importante pensar no prejuízo que estão a causar ao seu cliente, dado que quando uma campanha se torna motivo de conversas públicas e entre amigos sobre a sua bizarraria e inexplicabilidade, algo não funcionou bem.
E só se aprende com os erros, quando são reconhecidos.
Quem teve a perder com isto tudo, foi o cliente, o BANIF.
O senhor centauro é friorento, se repararem nos cartazes por aí espalhados.