Com a continuação do problema dos preços actuais dos combustíveis será uma questão de tempo até os consumidores começarem a exigir carros que não funcionem a derivados de petróleo.
O carro eléctrico, além de não depender directamente de petróleo, não produz emissões para a atmosfera. Só que o outro problema é que o carvão representa ainda cerca de 40% da produção de energia eléctrica a nível mundial, e 30% em Portugal, e as energias renováveis não dão ainda resposta às nossas necessidades energéticas, como se pode retirar duma apresentação da Ordem dos Engenheiros que encontrei sobre o tema que encontrei e que acrescenta àquilo que eu tentei dizer no meu artigo Exijamos Nuclear. Assim, se a alimentação dos carros eléctricos se basearem em redes de energia que produzem a sua electricidade por meio de fontes fósseis estar-se-ia, como alertam os ambientalistas, meramente a deslocalizar os mal dos escapes para outros lados.
Mas para nos preocuparmos com esse problema, é preciso que existam carros eléctricos em comercialização em primeiro lugar, e que os consumidores os queiram comprar.
A Tesla é uma marca automóvel inteiramente nova para a produção de carros exclusivamente eléctricos. O seu primeiro automóvel dirige-se a um mercado restrito, dos consumidores de carros desportivos, mas se calhar uma boa opção para a promoção do carro eléctrico como um objecto de desejo.
A marca de carros eléctricos americana entrou este ano em produção comercial, e entrará em breve no mercado europeu. Um automóvel desportivo que toma como marca o nome do famoso inventor e engenheiro de electricidade é um automóvel que consegue ser cromo e ter estilo ao mesmo tempo.
Os carros eléctricos são viáveis e desta vez, nem que tentem matar o carro eléctrico, creio que vieram para ficar.
O petróleo está demasiado caro. A nossa dependência dos interesses de potências detentoras da produção do petróleo já durou tempo demais.
Ricardo,
Eu conheci o Tesla Roadster há uns três meses atrás, e ele me fez recuperar o entusiasmo pelos carros elétricos. A estratégia da Tesla Motors está certíssima: começar com carros de alta performance e depois disponibilizar essas tecnologias desenvolvidas em carros de passeio. Não é exatamente isso o que a Fórmula 1 faz há décadas pelos carros a gasolina?
Quanto ao carro elétrico somente transferir o ônus para as centrais elétricas, pensemos o seguinte: os motores à combustão interna são hoje a principal fonte de poluição (e calor) das grandes cidades, certo? Então, mesmo que não haja qualquer mudança qualitativa na matriz energética, o simples fato de convertermos toda a frota para carros elétricos (e construirmos as centrais termoelétricas necessárias para abastecê-los, evidentemente) já seria um grande avanço, pois o calor e a poluição ficariam concentrados em umas poucas usinas em vez de estarem espalhadas em vários centros urbanos. O controle da poluição atmosférica seria muito facilitado.
Sobre as tentativas de matar o carro elétrico, acho que a indústria petrolífera não está tão preocupada quanto a indústria de auto-peças. Se você acompanhou atentamente o Tesla Roadster, viu que ele não possui muitas peças que há quase dois séculos nos acompanham e nos atormentam, entre as quais a infâme embreagem, para a alegria de milhões de motoristas e futuros motoristas como eu…rsrsrsrs