Estou-me nas tintas para a selecção de futebol. Estou-me nas tintas para a cobertura de imprensa do Euro2008. Estou-me nas tintas para o autocarro da Galp. E estou-me nas tintas para os jogadores que saem de lá com ares de muita importância.
Estou-me nas tintas, porque o sucesso daquela equipa de futebol não é o sucesso do meu país. Nem que o Presidente da República discurse perante os atletas, como se os inspirasse para uma batalha por Portugal.
Não, não é por Portugal. É por eles próprios.
Se a selecção ganhar, os portugueses não ganham nada:
O nosso PIB não aumenta. Os derrotados não passam a querer fazer turismo no nosso país. A Galp não baixa os preços.
Eu torço é por Portugal. Por isso me estou nas tintas para a selecção.
Subscrevo total e plenamente. Infelizmente, o país todo sofre do síndrome tuga.
Mas a utopia de Portugal nunca há-de chegar. Pelo menos a breve trecho. E se insistirmos nisso e continuarmos aquilo que ainda vamos fazendo em certas áreas, o que é certo é que vais continuar a atestar a altos preços e a pagar o empréstimo a altas taxas de juro. Pela força das circunstâncias, estas são boas oportunidades para que a auto-estima de um Povo supere tudo isso… nem que seja por uns dias. A Alma nunca foi pequena. Não queiramos nós agora diminui-la, só porque a mesma gosta de uns tremoços e de umas minis e de muita bagunça. É tudo o que nos resta, digo eu também, infelizmente.
De qualquer modo, por algum lado se tem de começar. Este, no momento, é o melhor. Sem histerias, é certo.
PS: Também estou céptico em relação ao nosso desempenho. O penálti falhado em Moscovo poderá vir a ditar toda uma saga inglória. Enfim… A ver vamos.
Continuo a discordar contigo. Esta festa em torno do futebol faz lembrar os tempos em que o povo só queria pão e circo.
Mas quando não há mais nada é preciso pão e circo. Embora a questão, continuo a dizer, não seja essa. Este País precisa de motivação e de um abanão para acordar – nem que seja para a “parvoeira”. Já estou cansado de ver todo um povo massacrado com chuva – que até parece comprada – com contas para pagar, e uma vida em que gritar seja o que for parece ser algo de anti-democrático. Um “boost” de auto-estima, volto a dizer. A partir daí teremos tudo o resto. Querido e devido.