Ouvi hoje no Rádio Clube Português que a Associação de Restaurantes e a Associação de Bares da Zona Histórica do Porto culpam a Lei do Tabaco, que faz agora um ano, pela quebra de clientes e lucros [ouvir].
Cientificamente é abusivo atribuir a uma única variável uma relação causal entre aquela e um dado resultado. Afirmar que a quebra dos lucros da restauração se deve à lei do tabaco não tem nenhuma validade.
Fosse válido, poderíamos então tirar daqui vários corolários:
- Aumentam as vendas de legumes e produtos frescos em mercearias de vizinhança;
- As famílias têm mais tempo juntas;
- Poupa-se dinheiro, aumentando os orçamentos domésticos.
- Profissionais e funcionários levam almoço de casa para o emprego;
- Depois, almoçam em bancos de jardim e ao ar livre, como em NY;
- Aumentam as vendas de lancheiras e tupperwares;
- Poupa-se dinheiro, aumentando o salário funcional.
- Reduzem um problema, o das lesões no aparelho auditivo por dB excessivos;
- Enchem as praças das cidades de vida à noite, como em Espanha;
- Conseguem conversar ao ar livre;
- Não pagam consumos obrigatórios nem têm de aturar porteiros em praças e esplanadas;
- Poupa-se dinheiro.
- Compram máquinas de café domésticas;
- Não tomam cafés;
- Ó, que tragédia!