O problema das nações pobres é por muito motivos um problema que diz respeito a todo o mundo. Mesmo que não fosse pela perspectiva humanitária, do ponto de vista económico creio que todo o mundo teria a ganhar se todo o planeta fosse, efectivamente, próspero
Imagine-se um mundo em que vez de empresas como a Nokia, BMW, Levi’s, Toshiba, estarem limitadas a vender os seus produtos àqueles das nações prósperas com poder de compra, se pudessem vender também a toda a gente, de África e países pobres asiáticos? Pense-se no número de consumidores possíveis numa África como continente desenvolvido. Todos ganhariam. A própria possibilidade de poderem considerar comprar bens de consumo seria sinal duma conquista mais alargada.
Pensar na pobreza dos outros como motivo para nos sentirmos culpados por um momento, e nunca sair do modelo paternalista da esmola não me parece servir de muito.
Investir na educação e na competitividade dos países pobres seria não só um acto filantrópico, como economicamente estimulante para todo o mundo. Não como esmolas, mas como investimento mesmo. Não seria tratar os outros como parceiros de negócios a melhor forma de desenvolvimento humanitário pela economia?
Já ouvi argumentos fortes contra a ajuda humanitária em excesso, que devia ser reservada para casos de extrema necessidade.
Por exemplo, ao oferecermos roupa gratuita a países pobres, estamos a destruir o negócio dos fabricantes de roupa locais — para eles é impossível competir com roupa gratuita.
É como a tal história de ser mais útil ensinar um tipo a pescar do que lhe oferecer o peixe, excepto que neste caso muitas vezes o homem já sabe pescar, mas não tem oportunidade de o fazer.