O Ricardo Alves responde ao meu artigo Privatizar? Recicle-se é a RTP com o artigo Privatizar a RTP? Extinga-se antes o SIS no seu blog, Esquerda Republicana.
Prescrevi a reciclagem à RTP no meu artigo, como força de expressão para dizer que, se defendo a privatização da RTP, tal é por motivos de juízo de utilidade e de qualidade, e não por alguma ideologia económica. É porque não presta mesmo, e deve ser purgada. Por isso, para mim a privatização é uma forma de a deitar fora da despesa do Estado1.
O Ricardo Alves defende então a RTP com os argumentos de rotina que qualquer pessoa emite em defesa formal, e sem particular convicção, da RTP.
Diz o Ricardo Alves que a RTP é boa. É boa porque há outras pessoas, que não o próprio, que querem a RTP. Isto é ao mesmo tempo uma falácia ad populum, e um viés de falso consenso. O Ricardo Alves acredita que a RTP «presta um serviço público relevante a essas pessoas».
Pelos vistos, todas as outras pessoas acreditam que todas as outras pessoas querem a RTP. Faz lembrar do conceito de interpassividade de Zizek, quando se praticam crenças sem as crenças: os pais dizem que acreditam no Pai Natal porque acreditam que as crianças crêm nele; e as crianças dizem acreditar no Pai Natal porque acreditam que os seus pais acreditam que elas acreditam.
É um argumento assente também no viés de superioridade, como se encontram em ateus que dizem não ver utilidade das religiões para si, mas que no entanto acham muito bem que os outros acreditem em Deus e vão à missa. Porque é bom para os outros.
Vamos no entanto debruçar-nos sobre alguns dos argumentos em favor da RTP como apresentados no artigo. Diz Ricardo Alves:
«Mas convém não esquecer que existem sectores consideráveis da população portuguesa (talvez a maioria), que não serão como nós: idosos, crianças, e pessoas sem meios para aceder à internet ou à TV por cabo.»
Tomemos o grupo social definido pelo Ricardo Alves como «Idosos, crianças e pessoas sem meios para aceder à Internet ou TV por cabo»2.
| Número de espectadores no target dos 4 aos 24 anos / share |
VERÃO 1 - 254.200 / 38,3% SÉRIE 2 - 363.700 / 53.7% VERÃO 2 - 453.000 / 74.0% |
| Dados Marktest e MediaMonitor in Wikipedia. |
Esse grupo não vê RTP. Esse grupo prefere as televisões privadas, que lhes dão programação deliberadamente orientada para o seu nível socio-económico e de instrução. Tomemos ainda o sub-grupo das crianças. Há uns 15 anos a RTP passava a Rua Sésamo à tarde para essa população. Hoje, esse grupo prefere Morangos com Açúcar. E não, não estou a confundir adolescentes com crianças. O share de espectadores confirma. Logo, a descrição do Ricardo Alves é um falso consenso.
O mesmo para a produção de conteúdos jornalísticos. Ricardo Alves considera que o telejornal da RTP é «menos tablóide». É a sua impressão pessoal, e para não me embrenhar em análise de conteúdo deixo-a ficar como mera impressão subjectiva sua. O telejornal da RTP2, o Jornal 2, não é um bom telejornal mas sim o menos fraco que a RTP compila. Digo compila, pois as peças do Jornal 2 são produzidas para a RTP, e são as mesmas que podem ser vistas nos telejornais da RTP1. A edição do Jornal 2 apenas põe de parte as partes menos execráveis, e o resultado quando comparado com outros telejornais, causa a ilusão de ser um programa noticioso de qualidade. Mas é uma mera ilusão cognitiva, do efeito de âncora.
No entanto, o telejornal preferido do grupo definido pelo Ricardo Alves como «Idosos, crianças e pessoas sem meios para aceder à Internet ou TV por cabo» não é o Jornal 2. É o Telejornal da TVI.
Portanto, os interesses do grupo «Idosos, crianças e pessoas sem meios para aceder à Internet ou TV por cabo» estão servidos com os canais privados. A manutenção da RTP como emissora de programação que a elite não vê mas prescreve àquele grupo como sendo do seu interesse, não é do seu interesse. Tal é conhecido como o paradoxo de Abilene.
O Ricardo Alves parece defender a RTP como um bem essencial do Estado por harmonia formal com a sua própria ideologia política, sem aparente crítica para o próprio fenómeno RTP.
Note-se que o blog onde Ricardo Alves escreve se intitula «Esquerda Republicana». Tal título anuncia que toda a sua produção discursiva será feita segundo moldes previamente definidos, os da esquerda republicana e não outros, sem liberdade de desvio formal que pudesse pôr em causa a estrutura estilística daquela tomada de posição permanente.
A partir daí, conhecendo-se os critérios para a produção de mundividência individual tomada por um indivíduo que tome para si aquela, ou outra, ideologia definida, pode-se adivinhar a sua posição sobre todos os fenómenos políticos independentemente do próprio sujeito.
Claro que o indivíduo teria a liberdade individual de construir juízos de forma independente, e com resultados diferentes da ideologia a que pertence. Mas tal não costuma acontecer, pois provoca uma dissonância cognitiva habitualmente insuportável, o que poderia levar a uma quebra estrutural da ideologia. Como o investimento temporal e social3 é demasiado extenso, tal resultado teria custos incomportáveis para o indivíduo.
Quando o Ricardo Alves diz que a RTP é boa, não é apenas o próprio que diz isso — é todo um grupo de pessoas que partilha da sua ideologia à qual ele próprio pertence.
Como na Europa o leque político é assente em pressupostos tradicionais de Esquerda-Direita, e sobre o constructo da Esquerda como socialista, Estatista, e moralmente interventiva num dado sentido, o resultado é o Ricardo Alves tendencialmente, por economia cognitiva e evitamento de dissonância, defender o que qualquer sujeito que se define como de Esquerda defende. Tal inclui a defesa dum canal, ou mais, de televisão de natureza estatal4. É ad hoc que surgem racionalizações para manter o indivíduo num estado homeostático. Será uma razão possível para que Ricardo Alves defenda a RTP com argumentos que não estão à altura da sua inteligência.
Se esta opinião não for a individual do meu interlocutor, então porque a é do grupo ao qual o próprio pertence?
A visão socialista, da Esquerda, implica que há uma elite, com acesso ao poder estatal, que prescreve ao povo o que é adequado para a sua elevação moral.
A defesa de posições como a manutenção da RTP, sobretudo da suposta superioridade cultural da RTP2, para benefício dum colectivo visto como intelectualmente inferior, é o clássico elitismo iluminado do «eu é que sei o que é bom para vocês».
A RTP é definida como bom para «o povo», e empurrada para «o povo» apesar da vontade d’«o povo»5.
Pois, só que o povo não quer ver a RTP. Não sou eu que o digo, pois não quero cometer o reflexo contrário do Ricardo Alves quando diz que sim, que querem. Quem o diz é o povo mesmo, que vota com o seu comportamento: o share da RTP, apesar do seu esforço para se aparvalhar e competir com os privados, é baixo. A programação da RTP que mais share tem, são concursos parvos como O Preço Certo ou o Quem Quer Ser Milionário. Acima disso, só os privados.
| # | Canal | Início | Descrição | Rat% | Shr% |
| 1 | TVI | 21:59:59 | ESPIRITO INDOMAVEL | 14.4 | 40.6 |
| 2 | TVI | 21:18:28 | REPORTER TVI – TERRA: DESAFIO GLOBAL | 10.6 | 32.2 |
| 3 | TVI | 22:59:46 | MAR DE PAIXAO | 10.1 | 33.5 |
| 4 | SIC | 22:37:33 | AQUI NAO HA QUEM VIVA (R) | 9.0 | 27.6 |
| 5 | RTP1 | 21:01:32 | QUEM QUER SER MILIONARIO: ALTA PRESSAO | 8.6 | 26.0 |
Fonte: Mediamonitor, 3 de Agosto de 2010
O Ricardo Alves mistura com a RTP um ataque à existência dos Serviços de Informação de Segurança. Tal é por um lado sintoma de falta de organização argumentativa, pois o assunto em questão é a RTP, e não a despesa do Estado em segurança, agricultura ou louça sanitária. E por outro lado é sintoma de ideologia a dominar o sujeito: é que Alves invoca um ataque ao SIS por tal ser consistente com a sua macroestutura ideológica, que vê o SIS como um agente de natureza ideológica dum grupo que não o dele. Como tal, um ataque ao SIS é apresentado como dicotomia perfeitamente plausível para a redução da RTP como despesa estatal pois o fim último de cada argumento é a grande estutura ideológica.
É uma banalidade invocar os impostos que poderiam ser investidos em serviços e infraestruturas de primeira necessidade, como «educação e hospitais», para atacar selectivamente o que do Estado se quer atacar. Mas parece-me que o espectáculo televisivo é um luxo mais evidente que qualquer racionalização contra uma agência de segurança nacional. Só uma elite indiferente para o que realmente as pessoas precisam poderia definir o circo da televisão como uma despesa de Estado necessária para as pessoas.
- A privatização é, portanto, a melhor forma de obter receitas para o Estado com essa reciclagem. [↩]
- Para efeitos de argumentação, vou ignorar a quantificação subjectiva e impressionista de «consideráveis» e «talvez a maioria». [↩]
- Indivíduos com opiniões ideológicas demarcadas e públicas tendem a ter construídas uma rede de relações relevantes com outros indivíduos com ideologia semelhantes. [↩]
- E já agora porque não também um jornal público? Porque não também um blog do Estado? [↩]
- Com apóstrofo e tudo. [↩]
Ricardo,
Poupa-te…
Abraço
Ricardo:
Sem entrar na questão do interesse da televisão pública, parece-me bastante errada esta passagem:
«Note-se que o blog onde Ricardo Alves escreve se intitula «Esquerda Republicana». Tal título anuncia que toda a sua produção discursiva será feita segundo moldes previamente definidos, os da esquerda republicana e não outros, sem liberdade de desvio formal que pudesse pôr em causa a estrutura estilística daquela tomada de posição permanente.
A partir daí, conhecendo-se os critérios para a produção de mundividência individual do Ricardo Alves ou de qualquer outro indivíduo que toma para si uma ideologia definida, pode-se adivinhar a sua posição sobre todos os fenómenos políticos independentemente do próprio sujeito.
Claro que o indivíduo teria a liberdade individual de construir juízos de forma independente, e com resultados diferentes da ideologia a que pertence. Mas tal não costuma acontecer, pois provoca uma dissonância cognitiva habitualmente insuportável, o que poderia levar a uma quebra estrutural da ideologia. Como o investimento temporal e social3 é demasiado extenso, tal resultado teria custos incomportáveis para o indivíduo.
Quando o Ricardo Alves diz que a RTP é boa, não é o próprio que diz isso — é todo um grupo de pessoas que partilha da sua ideologia à qual ele próprio pertence.
Como na Europa o leque político é assente em pressupostos tradicionais de Esquerda-Direita, e sobre o constructo da Esquerda como socialista, Estatista, e moralmente interventiva num dado sentido, o resultado é o Ricardo Alves, por economia cognitiva e evitamento de dissonância, defender o que qualquer sujeito que se define como de Esquerda defende. É ad hoc que constrói uma racionalização que o permita manter-se nesse estado homestático»
Assim se vê que não costumas ler o blogue em questão, pois dessa forma terias logo consciência da asneira que afirmas. Se fosse assim tão raro que os autores do nosso blogue tivessem «liberdade individual de construir juízos de forma independente, e com resultados diferentes da ideologia a que pertence» por «provoca[r] uma dissonância cognitiva habitualmente insuportável, o que poderia levar a uma quebra estrutural da ideologia» o que « teria custos incomportáveis para o indivíduo» então não estarias a ver os autores sempre às "turras". Para dar exemplos concretos em relação ao Ricardo Alves, as suas posições em relação à teoria do efeito de estufa antropogénico (é céptico), em relação ao binómio multiculturalismo/valores universais (pretere o multiculturalismo) ou em relação à tourada e aos direitos dos animais em geral (desvaloriza) são a prova viva do teu engano.
Tal como ao considerar-me ateu não me sinto obrigado a pensar da mesma forma sobre vários assuntos relacionados com a religião que os outros ateus, ao declarar-me de esquerda estou a assumir uma partilha de valores com outros indivíduos. Não é por me declarar deste grupo que passo a partilhar todos os valores do grupo – é por partilhar de grande parte deles que me declaro como pertencente.
Claro que existem dois factores que podem levar a uma convergência de valores. Existem os enviesamentos cognitivos e sociais que enumeras, mas também o simples facto de, ao pertencer a esse grupo estar muitas vezes mais sujeito à convivência e argumentação de quem partilha esses valores. Posto isto, esses factores são muitas vezes ultrapassáveis, e por isso a identificação política (mais ainda não partidária…) não impede um espírito crítico e independente no geral (visto que ninguém o é a 100%, mesmo quem recuse a definir a sua ideologia).
Concordo com o que tu dizes. Posso ter pessoalizado demasiado aquilo que eu queria dizer em termos abstractos.
Ricardo,
o teu texto é uma longa demonstração das falácias ad hominem e de «culpado por associação».
A primeira, espanta-me vinda de ti. A segunda, também, porque pensei que soubesses que sempre fui avesso ao «espírito de carneirada» e que sempre prezei o livre exame das ideias previamente à consideração da sua origem ideológica.
Finalmente, deverias ser mais prudente em elaborar acusações a partir do título do blogue, ou em incluir-me em versões caricatas de ideologias que não assumir (falácia da generalização abusiva).
Todos nos nos julgamos avessos ao tal «espírito de carneirada». Mas crer-se invulnerável é a Ilusão de Invencibilidade. Especulei, dentre as várias razões possíveis, que tal pudesse ser parte dum viés teu. Tomar ofensa só por ter apontado a possibilidade parece-me um exagero. Eu também não estou imune, e poderás muito bem encontrar-me esse viés noutra circunstância qualquer, ao qual agradeceria pelo menos a provocação.
Quanto às ideologias, pelos menos a da «esquerda republicana» assumes — é público. Nem sequer estava a atacar a ideologia em particular, mas a construção do mundo sobre uma ideologia adoptada, sobretudo quando tornada pública, que serve de grelha cognitiva de base.
Ricardo,
não há nenhuma ideologia da «Esquerda Republicana», pelo menos no sentido estrito do termo.
Em primeiro lugar, estar à «esquerda» não significa adoptar uma ideologia específica (socialista ou estatista, como tu presumes por associação). Há esquerda anarquista, comunista, socialista, radical e liberal. Alguns destes nem sequer serão «estatistas». Estar à esquerda é estar em oposição à «direita».
Em segundo lugar, o «Esquerda Republicana» já foi acusado, no espaço de pouco mais de um mês, de ser: a) do BE; b) do PS; c) do PCP. O que acontece justamente porque os autores são pouco ortodoxos.
Por tudo isto, acho que presumires uma ideologia sem discutires os argumentos não é uma forma válida de debater.
E deixa-me acrescentar que a minha crítica da RTP é pública e tens dela conhecimento. Portanto, dizer que abdico da crítica ao fenómeno RTP deve relevar da má fé.
E mais não digo porque o teu texto abusa de suposições sobre o que eu penso e sobre as minhas intenções, e eu não quero ir pelo mesmo caminho.
Tenho conhecimento, mas tentei toda uma hipótese numa forma de interpretar o fenómeno das crenças à luz da ideologia. Zizek fala muito disso, e ter-me-á influenciado neste ponto.
Não tinha intenção de má fé, nem sequer a intenção de te descrever em moldes que não correspondam à consideração que tenho por ti.
De facto, ainda em discussões passadas com o meu amigo Cachapa debatemos nestes termos. Tem sido possível para mim ter discussões nestes termos, apontando falácias e viéses, sem nunca ter resultado em indignação — como a que apresentas — de nenhuma das partes.
Mas se entendes que debater viéses é ofensivo, e como não foi essa a minha intenção, posso rever ou omitir partes que tu tomes como lesivas.
Não vou pedir-te que alteres textos do teu blogue. Há pedidos que não se fazem. Mas o teres pessoalizado demais a discussão leva a que eu ainda não tenha decidido se vou responder.
(Como o meu nome foi para aqui chamado…)
Alves, não vejo nada de errado com nenhum dos posts, em ambos os blogs.
Mais concretamente, não encontrei ataques pessoais no 2° post do Ricardo. Na análise dele não se percebe que vocês se conhecem pessoalmente, e ele apenas está a tentar descortinar o método de pensamento que está por detrás do teu post (feitio de psicanalista?).
Li os comentários aqui e fiquei com a sensação de que é possível chegar a uma discussão civil, sem ataques (realmente) pessoais. Há bons argumentos de ambos os lados que deveriam ser descortinados.
Mas também acho que a discussão deveria ter mais visibilidade e ser praticada em mais sangue frio do que nestas caixas de comentários.
Por isso, recomendo-te que coloques uma resposta no teu blog, em benefício dos leitores de ambos os blogs.
P.S.: De facto eu e o Ricardo discutimos muitas vezes com base em viéses e falácias. À partida ele estaria em vantagem, uma vez que está no seu meio, mas felizmente para mim, ele raramente tem razão
Pingback: Se eu não vejo a RTP, porque é que a pago? – rjcp.pt
O meu nome é mencionado dezasseis vezes neste post. Se isso não é ad hominem, não sei o que será. E nem vou contar o número de vezes que o rjcp abusa de espantalhos como «esquerda», «socialista» ou «ideologia».
Não, não há resposta em post. Ainda por cima quase nem vejo televisão…
Mas desde quando é que citar, mencionar ou atribuir é ad hominem?
Ricardo,
não vou realmente responder em post.
Só dois pontos.
1) SIS. Não vejo o SIS «como um agente de natureza ideológica dum grupo que não o [meu]». Pelo contrário. Vejo o SIS como um grupo de psicopatas sem qualquer ideologia, ética, escrúpulos ou valores, que podem perverter ou até destruir o Estado de Direito e a democracia, e que se não fossem funcionários do Estado estariam noutro tipo de estabelecimentos do Estado (daqueles dos quais só se sai com pulseira electrónica). Que haja um serviço estatal que comete crimes de escutas telefónicas, possivelmente de tortura, e ande tudo preocupado com a ASAE e com as casas feias do Sócrates (ou com a RTP, já agora), é, na minha opinião, um sintoma grave da alienação dos nossos tempos.
2) Vejo muito pouca televisão e já vivi em casas sem televisão. Pensei que fosses pela privatização da RTP com argumentos de despesa pública, mas afinal é porque embirras com os programas. Eu tento não confundir o serviço público com o serviço ao meu umbigo, e sei perfeitamente que existem pessoas que gostam do serviço da RTP. E se acreditas que as crianças sabem o que é melhor para elas, é porque nunca tentaste educar nenhuma. Qualquer política pública, das leis sobre o homicídio ou a violência doméstica até à educação pública, parte do princípio que temos uma ideia sobre o que é melhor para todos. A tua crítica, neste ponto, auto-derrota-se: supormos que é melhor para as pessoas não haver televisão pública é tão presumir «o que é bom para os outros» como o seu contrário.
Finalmente: que sejam os programas mais populistas os mais populares não me parece importante. O relevante é a qualidade da programação dos programas que esses «populistas» acabam por sustentar.
Ciao.