A democracia representativa actual faz-me lembrar o Clube Silêncio do filme Mulholland Dr. de David Lynch. Especialmente a parte que bem poderia ter as palavras «ouvimos democracia, mas no entanto não existe democracia». É tudo uma ilusão.
Estaline, se cá viesse e visse o que se conseguiu fazer no presente, ficaria deslumbrado. Talvez até se repreendesse por não ter pensado nisto ele próprio:
A melhor forma de impor uma ditadura é circunscrever a latitude de pensamento tolerada, e dar a impressão de escolha individual entre as opções pré-definidas.
Quando os agentes do estado das coisas nos falam da importância de votar, estão a suster a propaganda da ilusão da democracia participativa. No hay banda!
Quando os media e todas as pessoas passam uma semana inteira a comentar os pormenores inúteis dum debate de televisão entre os líderes dos dois principais partidos, estão a estreitar os limites da cognição e a ampliar diferenças entre eles — dando-nos a impressão de escolha — que não importariam se a escala da filosofia do possível fosse muito maior. And yet, you hear a band.
E quando nos dizem que se não votarmos não nos poderemos queixar, é como se a participação na ilusão de democracia fosse condição para ter liberdade de expressão. It’s all an illusion.
Mas também se por acaso votarmos num partido de que mais tarde nos arrependemos, também nos dizem que não podemos reclamar. É como na FNAC, quando não nos concedem o direito à devolução dum telemóvel dentro da garantia, se tiver um risquinho microscópico. É que há condições muito exactas, muito minuciosas para participar nesta ilusão.
Nós vemos a democracia, mas na verdade, não há democracia.
Só não se pode dizer que não há democracia —
Boa analogia.
De alguém que diz o óbvio: “There is probably more democracy in China than there is in the west” – http://www.youtube.com/watch?v=kEPob3kQ-6g
“Nós vemos a democracia, mas na verdade, não há democracia.”
Há uma não relação entre ver e existir (talvez uma vírgula a mais também) que é há muito conhecida.
Tem qualquer coisa de religioso, era essa a ideia?