A teologia da diacrítica

Como designar aquele que não crê ser possível conhecer a própria possibilidade da existência de Deus?

Anagnóstico? Não pode ser, pois a palavra é relativa a anagnosta.

A-agnóstico? Não dá, porque não se fazem prefixos de negação por justaposição hifenizada.

Aägnóstico? Sim, isto é que era. Seria tão giro que a língua portuguesa não só não tivesse perdido o trema (que se usava para assinalar a pronúncia de vogais normalmente mudas1), como tivesse alargado o seu uso para todas as vogais que, sendo justapostas, se tomam e pronunciam como independentes2.

  1. E.g., «queijo» e «cinqüenta». []
  2. Até a revista New Yorker, que tem ortografia própria, assim o faz em inglês, para palavras como «coöperation» []
  • http://www.facebook.com/people/Miguel-Montenegro/1258451938 Miguel Montenegro

    Caro Ricardo, permite-me que discorde. Afirmar que não é possível saber se é possível saber da existência ou não-existência de Deus (e deixemos a questão da definição deste termo de lado) é o mesmo que afirmar que não é possível decidir sobre essa matéria, que ela cai fora do âmbito do conhecimento humano “seguro.” Isso é agnosticismo sem tirar nem pôr. O contrário seria dizer que é possível saber da existência ou não-existência de Deus. Sendo possível, seguir-se-ia uma decisão sobre a matéria e resultaria uma posição que, se formulada dentro dos princípios da lógica da não-contradição (uma afirmação não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo), seria ou teísta ou ateia.

    • RJ Pinho

      Há dois cenários possíveis:

    • 1. Agnóstico tem, como acepção, aquele com a posição que a existência de Deus não é conhecida, não que não é conhecível;
    • 2. Tens razão, e eu sou parvo.
    • Inclino-me mais para o segundo.