Não saber onde deixamos o telemóvel não costuma ser muito problemático: telefonamos-lhe doutro número e, às vezes mesmo que esteja em modo de vibração, normalmente é o que basta para ficarmos a saber onde está o desaparecido.
Agora se o que procuramos é uma carteira ou as chaves do carro, aí não há volta a dar, excepto em sentido literal: é que vai mesmo ser preciso dar voltas e voltas à procura do objecto esquecido em lugar incerto, várias vezes, sem o encontrar. Isto até ser encontrado depois do prazo limite, pelo menos de paciência, e de forma fortuita logo naquele sítio onde tínhamos procurado mil vezes repetidamente.
Todas as nossas coisas deveriam ter o seu próprio número de telefone. Assim só teríamos de ligar para a carteira, para os óculos, para a nossa caneta favorita, para que os procurados se acusassem. E poderíamos também personalizar os toques dos objectos, até porque seria uma questão de tempo até toda a gente deixar de se esforçar para procurar coisas e telefonar-lhes em reuniões, escolas e locais de trabalho.
Ou então, para evitar uma grilharia generalizada, com tecnologia de posicionamento global —ou relativa— e síntese de voz, e o próprio objecto poderia informar-nos via telemóvel da sua posição. Enquanto procurássemos, com uma mão a segurar o telemóvel no ouvido e com a outra a remexer nas coisas que pudessem estar à frente do objecto, iríamos ouvindo: «frio, frio, morno, frio, morno, quente, quente, quente, estás mesmo à minha frente seu palerma».