Conforme o acordo sem acordo nenhum

Vou à Bertrand e deparo-me com este triste espectáculo:

DSCN2694C.jpgPois parece que foi a Texto a primeira editora a retirar o seu apoio à língua escrita dos portugueses. Muito bonito, Texto Editora, uma traição pela ânsia de fazer dinheiro com a venda de muitos dicionários no Brasil.

Sobre este tema, do acordo ortográfico com o qual ninguém está de acordo, recordo dois textos que escrevi previamente:

Mas porquê um acordo que muda um mundo onde há duas normais de grafia: o português do Brasil, e a norma luso-africana? Com um acordo do qual nem todos os países da CPLP têm de aderir, ficaremos com não duas, mas três normas! A actual luso-africana dos países que não aderiram ao acordo, a grafia segundo o novo acordo mas com acentuação e sintaxe brasileira, e a terceira variante, da grafia segundo o novo acordo ortográfico, mas com acentuação e sintaxe de Portugal. Isto, além da diferença de uso entre vocábulos existente entre os vários países. Sim senhor, assim realmente ficará tudo muito mais simples.

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Ainda contra o acordo ortográfico

Um simples texto que escrevi há tempos, Porque não quero o novo Acordo Ortográfico, tornou-se rapidamente num dos mais comentados e lidos artigos do meu diário.

Antes de mais nada digo que não gosto de ver resvalar esta discussão para hostilidades contra a gente e a língua do país que está do outro lado do Oceano daquele que não quer a revisão. É que logo nesta matéria brasileiros e portugueses estão de acordo (nem a propósito, esta palavra): ambas as partes não querem mais nenhuma revisão.

Um artigo muito engraçado, Hífen-ação, de Ivan Lessa revela os seus argumentos contra, na perspectiva brasileira.

Linguistas e outros cientistas podem ainda dar muitos outros argumentos a favor e outros tantos contra. Mas dum ponto não nos podemos esquecer: se a língua é do povo, e o povo não quer nenhuma revisão, então não temos revisão.

E por isso até eu, que sou tão céptico no que diz respeito a petições pela Internet, dei por mim a contemplar estas três, uma melhor redigida e outra com mais assinaturas:

Edição: As assinaturas devem ser concentradas na petição com maior participação, acessível em http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/.

No início do século XX o português tinha uma belíssima grafia, com testemunhos da história das palavras nas próprias palavras, como as consoantes mudas actualmente nas línguas inglesa e francesa. As revisões não harmonizam nada em absoluto, e tiram detalhe, precisão e artefactos ao património que é das pessoas, da cultura, da História, e não dos legisladores.

Eu não quero nenhum acordo ortográfico. A minha opinião como cidadão e falante do português conta para alguma coisa? E a de todos os outros cidadãos?

Uma palavra intraduzível e a sua tradução

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Duas palavras intraduzíveis e a sua tradução

Online / Offline:

Em linha / Fora de linha.

«Está? Está em linha?» – Há mais de um século que esta frase se ouvia nas linhas dos telefones fixos, quando uma das partes não tinha a certeza do estado da ligação.

A mim parece-me que as traduções para o português europeu da Microsoft são baseadas nas do português do Brasil. Só assim se explica tantas palavras em inglês por traduzir, quando nos países europeus de línguas latinas que nos são mais próximos tal não acontece. Parece-me ser de todo o interesse basear, ou pelo menos consultar, as traduções daqueles países para evitarmos estrangeirismos perfeitamente desnecessários.

Msn75frances
Francês: «En ligne»

Msn75italiano
Italiano: «In linea»

Um país de poetas

Eu na primeira hora disse ao senhor Brandão:
Senhor Brandão, se algum problema houver com o advogado
O meu amigo está credenciado está mandatado
Para recorrer a qualquer advogado
Para o defender. É verdade ou é mentira, Brandão?
(É mentira)
É verdade! Tu és aldrabão!

Fizeram-me chegar este excerto de vídeo, aparentemente já com uns anos. Mas, e não querendo ser insensível com o problema que afectava aquele senhor, não é fácil deixar de reparar no excelente sentido de ritmo e musicalidade imprimido ao seu discurso.

Além da rima, é curioso ver a mudança súbita entre o tratamento por «senhor» no tempo em que as duas pessoas se respeitariam, e depois o remate com o tratamento por «tu» para o chamar aldrabão.